quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Todo coração que arde nesta noite é amigo da música




Viemos girando do nada, espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo e nós no centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho, em torno de Deus gira a roda do céu.
Segura um raio dessa roda e terás a mão decepada.
Girando e girando essa roda dissolve todo e qualquer apego.
Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria - basta!
Até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado, mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne, o amante gira em torno do seu próprio coração.
Envergonhado ante tanta beleza giro ao redor da minha vergonha.
Ouve a música do samá. Vem unir-te ao som dos tambores!
Aqui celebramos: somos todos Al-Hallaj dizendo: “Eu sou a Verdade!”
Em êxtase estamos. Embriagados sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós em nada parecerá com o que somos.
Giramos e giramos em êxtase. Esta é a noite do sama. Há luz agora - Luz ! Luz! Eis o amor verdadeiro que diz a mente: adeus.
Este é o dia do adeus. - Adeus ! Adeus !
Todo coração que arde nesta noite é amigo da música.
Ardendo por teus lábios meu coração transborda de minha boca.
Silêncio! És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que resta é nada além de carne e ossos. Por que nos falam de templos de oração, de atos piedosos? Somos o caçador e a caça, Outono e primavera, Noite e dia, O Visível e o Invisível.
Somos o tesouro do espírito. Somos a alma do mundo, livres do peso que vergasta o corpo. Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço nem mesmo da terra que pisamos. No amor fomos gerados. No amor nascemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário