Dizer “eu te amo” é
uma frase linda, sem dúvida. Boa de ouvir, fácil de dizer, difícil de sentir….
É linda. Encerra e inicia com ela muitas coisas. Porém a vida vai ensinando uma
importante lição que, já grandinhas, deveríamos saber. Amor não basta. Amor, às
vezes, fica pouco, mas tão pouco, que fica insignificante. Sem falar que é
exigente e precisa de uma série de outros itens pra fazer a manutenção. Pra dar
certo a dois… Precisa muito mais que amor. Mais que um encontro feliz. Mais que
inspiração e bons desejos. Mais que um começo arrebatador. Pra dar certo,
precisa de tudo e mais um pouco. Precisa de sedução pra fazer o coração
disparar perante aquele olhar. De suavidade e delicadeza para conhecer a alma
do outro aos poucos, pra evitar as respostas automáticas e ser sincero sem
machucar. Precisa de ternura para achar bonitinho aquele jeito de mexer no cabelo
ou o jeitinho especial de arrumar os óculos. De gentileza para puxar a cadeira
na lanchonete, ou para dar uma costuradinha no botão da camisa em uma
emergência, sem achar isso uma obrigação. Precisa de mistério, que sem ele tudo
perde a graça, mas também de revelações e segredos a dois. De conexões
espirituais, aquelas que fazem um sentir uma pontada no peito quando o outro
torce o pé no futebol, ou saber que é hora de ligar mesmo quando não era a hora
de sempre, mas era a hora que o outro mais precisava ouvir um “lembre-se sempre
que estou aqui”. Precisa de cortejo para oferecer uma flor numa hora
inesperada, mesmo depois de tanto tempo juntas, ou para mandar um e-mail
apaixonado sem razão. Admiração para sentir-se sortuda e feliz ao lado daquela
pessoa, porque nenhuma outra poderia ser melhor. Cortesia para dar aquele
presente que a amada queria faz tempo, mesmo não sendo aniversário ou data
especial. E muito romantismo pra abraçar de repente na saída do cinema, para
beijar na boca molhado atrás da porta escondidinho, e para olhar as estrelas e
a lua encantados e dizer, “eu nasci só para beijar você aqui, agora”. Precisa
também daquele frio na barriga quando vê aquele decote, de prazer em derrubar
aquele chantilly no colo e lamber, de alegria para brincar com todos os pedaços
do corpo da outra. De muito tesão ao ver o jeito de andar, de falar, de vestir,
de fantasiar, de beijar, de tocar da outra. De muito calor naquele abraço no
sofá, naquela passadinha de mão debaixo da mesa do restaurante, naquele sorriso
malicioso sem esperar, naquela carícia mais ousada. Precisa de muita paixão nos
gestos, atos e palavras. Precisa, de repente, achar graça de novo no cheiro, e
ter vontade de beijar e tudo o mais de mil maneiras diferentes e inesgotáveis;
precisa desse desejo renovado a cada dia, sentir aquele frio na barriga ao
encontrar, daquela mão correndo perigosamente no corpo da outra enquanto se
dirige, aquele tremor ao ouvir sussurrado na orelha “eu te quero”, mesmo quando
todo mundo acha que já deu o tempo de deixar de querer. Precisa da paz que se
sente depois de uma noite de loucuras, e de saber que só há um lugar onde é
possível descansar sossegado depois de tanta respiração acelerada, gritos
abafados, apertões e pele na pele: os braços daquela pessoa.Meu lugarzinho!
Já cansou? Mas peraí,
tem muito mais. Precisa também de amizade, coleguismo, cumplicidade. Precisa
dar o ombro quando tem briga com a mãe, desentedimento com o chefe, problemas
de saúde com o melhor amigo ou quando o time de futebol perde - TIMÃO. Precisa
entender a chateação da outra, mesmo quando se está exultante de contentamento.
Precisa de respeito para não escancarar maldosamente as fraquezas, e nem tocar
o dedo na ferida durante uma briga. Precisa de discordância também, afinal, ela
é a maior prova de que um não se anulou por causa do outro. Mas também de
compreensão para olhar de um outro lado, mesmo quando a outra é o oposto do
seu. Precisa da torcida dos amigos, parentes e conhecidos, e aprender a dividir
os problemas a dois com pessoas de confiança, que podem enxergar mais do lado
de fora e iluminar os pontos escuros. Fidelidade é desejável, mas, além dela, é
preciso muita lealdade pra não enganar, não trapacear, não fingir. Precisa de
um bocado de sorte, sim, mas esse bocado de esforço é necessário para ser a
força da outra e deixar ela ser a sua. Precisa de um pouco de ciúme pra olhar
feio pra uma saia muito curta, pra torcer o nariz pra voz de mulher no
telefone, pra abraçar forte quando tem alguém olhando demais; mas tudo sem
barraco, que isso não precisa. Precisa também de um pouco de insegurança pra
lembrar que nada é pra sempre quando não se trabalha, e muito, pra isso.
Precisa do medo que dá de perder aquela criatura quando se olha ela dormir
tranquila ao seu lado, ou quando ela demora a ligar depois de uma briga, ou
quando pinta aquele olhar de desânimo. Precisa de harmonia, de objetivos em
comum, desde os planos pro final de semana até onde desejam estar daqui muitos
anos. Precisa de muita força pra lutar junto, pra sentir a dor do outro, para
ir lá interceder por ele quando ele já desistiu de tentar. Precisa de uma mão
pra apertar nas fases difíceis e aquele monte de frases que soam banais, mas
eficientes, como “estou com você”, e “isso tudo vai passar, calma”. Precisa de
muita fé em si mesmo, no que há entre os dois e em algo maior. E também de
ambição e espírito de equipe para trabalhar juntos, e não um contra o outro.
LUTO CONTRA O MUNDO, MAS NUNCA CONTRA VOCÊ. De muita, muita coragem para
enfrentar o que for contra as suas certezas; sim, porque é preciso muitas certezas,
sem esquecer de se dar o direito de duvidar. E é preciso não se ser somente em
conjunto, mas sozinho principalmente; ser você mesmo. E, pro bem de ambas as
partes, plantar em você o equilíbrio, o desprendimento, a liberdade, a
necessidade de privacidade, e ainda incentivar isso tudo no outro, no que você
puder ajudar. Precisa de humildade pra admitir que errou o caminho, abaixar o
vidro do carro e perguntar pra alguém pra onde ir; e também pra admitir que falou
demais naquela hora, que a outra tinha razão naquele dia, que sente saudade e
precisa de uma outra chance, ou que precisa de ajuda quando for fazer aquele
trabalho da faculdade. Às vezes, precisa de sacrifício. Precisa cuidar da
beleza, de seduzir sempre, de comprar uma roupa nova ou fazer um penteado diferente.
Precisa de muito, muito perdão, pedir e dar: por ter atrasado tanto, por ter
esquecido do aniversário de namoro, por ter sido sarcástico e ferino, por não
ter feito o necessário, por ter, por ter criticado agressivamente o que ele fez
com tanto carinho e esforço. E precisa de superação. Muita. É… Nada fácil. Mas
tem o principal, ainda. Precisa de senso de humor, para rir de si mesmo e fazer
gracinha com a meia furada, a estria imensa na barriga, a palavra escrita
errada no cartão, a cara amassada ao acordar o cabelo despenteado.
Criatividade, pra criar novas formas de paixão, e fazer algo surpreendente e
diferente a cada dia, mesmo que seja um jeito de pegar na orelha mais enfático,
ou um bilhetinho apaixonado na geladeira ou no bolso do casaco. De pelo menos
algumas vezes pensar na amada primeiro do que em si mesmo, abrindo mão do
baralho na casa das amigas ou do chá de bebê, só porque o outro precisa ficar
juntinho. Precisa de diálogos, falar o que está engasgado, aprender a ouvir sem
fugir, e a não deixar de dizer nada, mas não necessariamente dizer gritando ou
xingando. Precisa fechar os olhos pra alguns defeitos irremediáveis que ela
possa a vir ter. E muita paciência pra entender as manias e esquisitices que
todo mundo tem, como a de conferir mil vezes o troco deixando as notas viradas
para o mesmo lado e etc. Precisa entender que o tempo seu nem sempre é o tempo
da outra, e saber esperar. Precisa de muita afinidade para curtir aquela música
juntos, assistir aquele filme, sonhar juntos com aquela casa na praia, planejar
as férias, ir àquele lugar ou tentar ver alguma graça no jogo de futebol na TV.
Precisa receber e dar proteção, saber botar no colo e fazer o outro ficar
quieto, ouvindo o seu coração – meu lugarzinho !! Precisa intimidade para olhar
nos olhos sem medo, e para saber qual a cor da sua calcinha que ela mais gosta,
ou onde ele tem uma marca que esconde de todo mundo, ou o que ela mais gosta de
comer, ou o que ela mais gosta de ouvir. E tudo isso com o coração alegre e
aberto. E você vem dizer que basta apenas o amor? Infelizmente, não. O amor não
mora só no “eu te amo”. Ele se faz nisso tudo aí e em tudo o mais. E quem ama
de verdade traz implícito num “eu te amo” todos esses momentos, vividos, por isso que
ele é doce na boca de quem diz e apaixonante no ouvido de quem fala. Sinto AMOR
VERDADEIRO ... E COMPLETO ESSE SENTIMENTO COM A SEGUINTE FRASE: O ESPÍRITO
PROCURA E O CORAÇÃO ACHA ... NOS ACHAMOS LIZ, MEU ETERNO AMOR ...
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