quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AMOR VERDADEIRO




Dizer “eu te amo” é uma frase linda, sem dúvida. Boa de ouvir, fácil de dizer, difícil de sentir…. É linda. Encerra e inicia com ela muitas coisas. Porém a vida vai ensinando uma importante lição que, já grandinhas, deveríamos saber. Amor não basta. Amor, às vezes, fica pouco, mas tão pouco, que fica insignificante. Sem falar que é exigente e precisa de uma série de outros itens pra fazer a manutenção. Pra dar certo a dois… Precisa muito mais que amor. Mais que um encontro feliz. Mais que inspiração e bons desejos. Mais que um começo arrebatador. Pra dar certo, precisa de tudo e mais um pouco. Precisa de sedução pra fazer o coração disparar perante aquele olhar. De suavidade e delicadeza para conhecer a alma do outro aos poucos, pra evitar as respostas automáticas e ser sincero sem machucar. Precisa de ternura para achar bonitinho aquele jeito de mexer no cabelo ou o jeitinho especial de arrumar os óculos. De gentileza para puxar a cadeira na lanchonete, ou para dar uma costuradinha no botão da camisa em uma emergência, sem achar isso uma obrigação. Precisa de mistério, que sem ele tudo perde a graça, mas também de revelações e segredos a dois. De conexões espirituais, aquelas que fazem um sentir uma pontada no peito quando o outro torce o pé no futebol, ou saber que é hora de ligar mesmo quando não era a hora de sempre, mas era a hora que o outro mais precisava ouvir um “lembre-se sempre que estou aqui”. Precisa de cortejo para oferecer uma flor numa hora inesperada, mesmo depois de tanto tempo juntas, ou para mandar um e-mail apaixonado sem razão. Admiração para sentir-se sortuda e feliz ao lado daquela pessoa, porque nenhuma outra poderia ser melhor. Cortesia para dar aquele presente que a amada queria faz tempo, mesmo não sendo aniversário ou data especial. E muito romantismo pra abraçar de repente na saída do cinema, para beijar na boca molhado atrás da porta escondidinho, e para olhar as estrelas e a lua encantados e dizer, “eu nasci só para beijar você aqui, agora”. Precisa também daquele frio na barriga quando vê aquele decote, de prazer em derrubar aquele chantilly no colo e lamber, de alegria para brincar com todos os pedaços do corpo da outra. De muito tesão ao ver o jeito de andar, de falar, de vestir, de fantasiar, de beijar, de tocar da outra. De muito calor naquele abraço no sofá, naquela passadinha de mão debaixo da mesa do restaurante, naquele sorriso malicioso sem esperar, naquela carícia mais ousada. Precisa de muita paixão nos gestos, atos e palavras. Precisa, de repente, achar graça de novo no cheiro, e ter vontade de beijar e tudo o mais de mil maneiras diferentes e inesgotáveis; precisa desse desejo renovado a cada dia, sentir aquele frio na barriga ao encontrar, daquela mão correndo perigosamente no corpo da outra enquanto se dirige, aquele tremor ao ouvir sussurrado na orelha “eu te quero”, mesmo quando todo mundo acha que já deu o tempo de deixar de querer. Precisa da paz que se sente depois de uma noite de loucuras, e de saber que só há um lugar onde é possível descansar sossegado depois de tanta respiração acelerada, gritos abafados, apertões e pele na pele: os braços daquela pessoa.Meu lugarzinho!
Já cansou? Mas peraí, tem muito mais. Precisa também de amizade, coleguismo, cumplicidade. Precisa dar o ombro quando tem briga com a mãe, desentedimento com o chefe, problemas de saúde com o melhor amigo ou quando o time de futebol perde - TIMÃO. Precisa entender a chateação da outra, mesmo quando se está exultante de contentamento. Precisa de respeito para não escancarar maldosamente as fraquezas, e nem tocar o dedo na ferida durante uma briga. Precisa de discordância também, afinal, ela é a maior prova de que um não se anulou por causa do outro. Mas também de compreensão para olhar de um outro lado, mesmo quando a outra é o oposto do seu. Precisa da torcida dos amigos, parentes e conhecidos, e aprender a dividir os problemas a dois com pessoas de confiança, que podem enxergar mais do lado de fora e iluminar os pontos escuros. Fidelidade é desejável, mas, além dela, é preciso muita lealdade pra não enganar, não trapacear, não fingir. Precisa de um bocado de sorte, sim, mas esse bocado de esforço é necessário para ser a força da outra e deixar ela ser a sua. Precisa de um pouco de ciúme pra olhar feio pra uma saia muito curta, pra torcer o nariz pra voz de mulher no telefone, pra abraçar forte quando tem alguém olhando demais; mas tudo sem barraco, que isso não precisa. Precisa também de um pouco de insegurança pra lembrar que nada é pra sempre quando não se trabalha, e muito, pra isso. Precisa do medo que dá de perder aquela criatura quando se olha ela dormir tranquila ao seu lado, ou quando ela demora a ligar depois de uma briga, ou quando pinta aquele olhar de desânimo. Precisa de harmonia, de objetivos em comum, desde os planos pro final de semana até onde desejam estar daqui muitos anos. Precisa de muita força pra lutar junto, pra sentir a dor do outro, para ir lá interceder por ele quando ele já desistiu de tentar. Precisa de uma mão pra apertar nas fases difíceis e aquele monte de frases que soam banais, mas eficientes, como “estou com você”, e “isso tudo vai passar, calma”. Precisa de muita fé em si mesmo, no que há entre os dois e em algo maior. E também de ambição e espírito de equipe para trabalhar juntos, e não um contra o outro. LUTO CONTRA O MUNDO, MAS NUNCA CONTRA VOCÊ. De muita, muita coragem para enfrentar o que for contra as suas certezas; sim, porque é preciso muitas certezas, sem esquecer de se dar o direito de duvidar. E é preciso não se ser somente em conjunto, mas sozinho principalmente; ser você mesmo. E, pro bem de ambas as partes, plantar em você o equilíbrio, o desprendimento, a liberdade, a necessidade de privacidade, e ainda incentivar isso tudo no outro, no que você puder ajudar. Precisa de humildade pra admitir que errou o caminho, abaixar o vidro do carro e perguntar pra alguém pra onde ir; e também pra admitir que falou demais naquela hora, que a outra tinha razão naquele dia, que sente saudade e precisa de uma outra chance, ou que precisa de ajuda quando for fazer aquele trabalho da faculdade. Às vezes, precisa de sacrifício. Precisa cuidar da beleza, de seduzir sempre, de comprar uma roupa nova ou fazer um penteado diferente. Precisa de muito, muito perdão, pedir e dar: por ter atrasado tanto, por ter esquecido do aniversário de namoro, por ter sido sarcástico e ferino, por não ter feito o necessário, por ter, por ter criticado agressivamente o que ele fez com tanto carinho e esforço. E precisa de superação. Muita. É… Nada fácil. Mas tem o principal, ainda. Precisa de senso de humor, para rir de si mesmo e fazer gracinha com a meia furada, a estria imensa na barriga, a palavra escrita errada no cartão, a cara amassada ao acordar o cabelo despenteado. Criatividade, pra criar novas formas de paixão, e fazer algo surpreendente e diferente a cada dia, mesmo que seja um jeito de pegar na orelha mais enfático, ou um bilhetinho apaixonado na geladeira ou no bolso do casaco. De pelo menos algumas vezes pensar na amada primeiro do que em si mesmo, abrindo mão do baralho na casa das amigas ou do chá de bebê, só porque o outro precisa ficar juntinho. Precisa de diálogos, falar o que está engasgado, aprender a ouvir sem fugir, e a não deixar de dizer nada, mas não necessariamente dizer gritando ou xingando. Precisa fechar os olhos pra alguns defeitos irremediáveis que ela possa a vir ter. E muita paciência pra entender as manias e esquisitices que todo mundo tem, como a de conferir mil vezes o troco deixando as notas viradas para o mesmo lado e etc. Precisa entender que o tempo seu nem sempre é o tempo da outra, e saber esperar. Precisa de muita afinidade para curtir aquela música juntos, assistir aquele filme, sonhar juntos com aquela casa na praia, planejar as férias, ir àquele lugar ou tentar ver alguma graça no jogo de futebol na TV. Precisa receber e dar proteção, saber botar no colo e fazer o outro ficar quieto, ouvindo o seu coração – meu lugarzinho !! Precisa intimidade para olhar nos olhos sem medo, e para saber qual a cor da sua calcinha que ela mais gosta, ou onde ele tem uma marca que esconde de todo mundo, ou o que ela mais gosta de comer, ou o que ela mais gosta de ouvir. E tudo isso com o coração alegre e aberto. E você vem dizer que basta apenas o amor? Infelizmente, não. O amor não mora só no “eu te amo”. Ele se faz nisso tudo aí e em tudo o mais. E quem ama de verdade traz implícito num “eu te amo”  todos esses momentos, vividos, por isso que ele é doce na boca de quem diz e apaixonante no ouvido de quem fala. Sinto AMOR VERDADEIRO ... E COMPLETO ESSE SENTIMENTO COM A SEGUINTE FRASE: O ESPÍRITO PROCURA E O CORAÇÃO ACHA ... NOS ACHAMOS LIZ, MEU ETERNO AMOR ...


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